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Sabia que a vida adulta não seriam preocupações básicas…

Estávamos em 2008.

Eu sabia que ia ser duro.

Sabia que a vida adulta não seriam as preocupações básicas de ser a namorada de um dos gatos do liceu, que não seriam as preocupações básicas de ser uma das titulares na equipa de voleibol ou ganhar prémios no final do ano. Sabia que não seriam as preocupações básicas de estudar para alcançar uma média alta. Não seriam as preocupações básicas de ir às festas da AE e no dia seguinte conseguir estar nas aulas de ressaca a tirar apontamentos. Sabia que não seriam as preocupações de ter que capas e capas e livros e livros para ler e encaixar. Sabia que não seriam as preocupações básicas de gerir o pânico de dois exames no mesmo dia para fazer. Eu sabia que a vida adulta não seria básica. Por isso, fartei-me de chorar. Quase como se no cortejo iniciasse o luto. 

A transformação da Marta, estudante, a terminar uma licenciatura depois de todo processo normal curricular, em Marta, a Fisioterapeuta.

É muito bom termos títulos, é muito bom termos graus. Estudamos para saber mais, para conseguirmos prestar melhores serviços mas há sempre um estatuto associado. E, quer queiramos quer não, esse estatuto tem um custo associado. O custo de ser adulto. O custo de já nem tudo se pode dizer, já nem tudo se pode fazer como gostaríamos, já nem tudo se pode viver. Porque algo nos diz que ao entrarmos na chamada na fase adulta passamos a ter que viver “by the rules”. Passamos a ter que comprar casa até x idade, passamos a ter que construir família até x idade, passamos a ter que ter um emprego para a vida, passamos a apenas nos ser permitido por lei parar 22 dias úteis ou pouco mais. Passamos, também, a ter que ser reconhecidos, a ter sempre o estatuto, o adereço com o qual saímos da graduação que escolhemos fazer.

Seria ilógico, surreal e insano agir de outra forma.

Porque entramos neste registo? Porque não permitimos mais leveza no lado duro do adulto? Sei que em tudo nos é pedido para que escolhamos apenas um lado, um partido, uma posição. Permitir uma mescla é sentido como a abertura de uma porta para o caos. 

Porque não podemos respeitar a bipolaridade de se assumir a responsabilidade sobre si próprio, adulto, e combinar com a “irresponsabilidade” de dias, fases ou temporadas sem definições, aberto a novas experiências, a pesquisar dentro de si a essência do que se é? Not by the book, not by the rules. 

Quem sou eu? O que faço comigo? Como me relaciono com os outros?

Assim começa a reabilitação da relação com o corpo. 

É certo que há um crescente movimento no desenvolvimento da relação connosco próprios incentivando ao auto-cuidado. É certo que estes dois últimos anos também nos deixaram mais isolados no que toca a relações com os outros, a relação com as massas. Mas é, também, na relação que temos com o mundo, na relação que desenvolvemos com o exterior, no que revelamos ao exterior que ganhamos consciência de partes de nós. Ou seja, revelamo-nos a nós próprios através da revelação ao exterior também. 

Necessitamos de sair de um estado de estagnação, de falar, de fazer coisas novas ou fora da rotina habitual para gerar mais sinapses, mais conexões neuronais, mais blocos de novas estruturas no cérebro. Ao desencadearmos este ciclo vamos estimular a motivação e esta, por conseguinte, vai gerar mais felicidade, mais bem-estar. 

Ao suprimirmos quem nós somos, ao suprimir as necessidades de um eu não realizado vamos permanecer incompletos.

Como diz Jordan Peterson, “E a vida é muito difícil para alguém incompleto.”

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